terça-feira, 7 de setembro de 2010

Alerta aos navegantes...

Do Cântico Espiritual, de São João da Cruz, (séc. XVI), sacerdote e doutor da Igreja:

Não há obra melhor que o amor.

A propósito, convém notar, que enquanto a alma não chega a este estado de união de amor, convém-lhe exercitar o amor tanto na vida ativa como na contemplativa.

É mais precioso diante dele e da alma um pouquinho de puro amor e aproveita mais à Igreja, embora pareça que não faz nada, que todas essas obras juntas. Porque, enfim, para este fim de amor fomos criados.

Advirtam, pois, aqui os que são muito ativos e que pensam abraçar o mundo com as suas prédicas e obras exteriores, que dariam muito mais a Deus, além do bom exemplo que dariam, se gastassem sequer a metade desse tempo com Deus na oração, mesmo que não tivessem chegado a uma tão alta oração. De outra forma, tudo é martelar e fazer pouco mais q e nada e, às  vezes, nada e até, às vezes, dano.

fonte: blog Visão Cristã (Dom Herique)

quinta-feira, 2 de setembro de 2010

Preparar um encontro de catequese…

 

Quem vai para o mar avia-se em terra! O que é verdade em tudo na vida e também na catequese. Uma catequese bem preparada é mais de metade do sucesso.
 

Uma história de amor que vem de longe
       Recorda-te do sentido da tua missão como catequista. És mais do que um "professor" de catequese. És um enviado. És uma testemunha. És um apaixonado pela causa de Jesus e pelo Jesus da causa. Estás nisto porque já experimentastes que Jesus e a sua mensagem enchem a tua vida de sentido e de alegria. E por isso queres partilhar com outros esta "vida em abundância" que só Jesus dá.
O equipamento
       Pessoalmente ou com o grupo que faz catequese contigo preparas a catequese com o material necessário:
- O catecismo e o guia;
- A Bíblia;
- O catecismo da Igreja Católica (para aprofundar e tirar dúvidas).
- O mapa
       Recorda os objetivos deste bloco. Recorda o que já se fez. Recorda as dificuldades e os sucessos das catequeses anteriores.
      Lê o guia. Detém-te nos objetivos propostos. O que Têm a ver com a vida dos catequizandos? O que têm a ver com a tua vida? Que aspectos da vida dos catequizandos podem ganhar outro sabor quando eles atingirem estes objetivos?
       Lê e medita a introdução à catequese.
Estuda, medita e reza os textos propostos para o anúncio da palavra. Usa as notas e os comentários da tua edição da Bíblia.

Cativa a atenção dos participantes
       Qual a proposta que o Guia faz para a experiência humana? Verifica se ela é adequada para a realidade dos teus catequizandos. Haveria uma outra forma mais eficaz de ajudar os catequizandos a atingir os objetivos? Quais os materiais necessários? Eles já estão disponíveis no Centro Paroquial? De quanto tempo prevês necessitar para estas atividades?

        Lê as propostas do anúncio da Palavra: Verifica se a linguagem usada é acessível aos catequizandos do teu grupo. Como é feito o anúncio da Palavra? Recordas alguma forma mais criativa e atraente de ajudar o grupo a acolher essa Palavra como Boa Notícia? Quanto tempo vais usar?
        Quais as propostas do Guia para a expressão de fé? No caso de haver uma proposta de oração, quais os recursos de que vais precisar? Não esqueças que alguns dos catequizandos podem (ainda) não ter hábitos pessoais de oração. Prepara uma boa ambientação para uma oração autêntica. De quanto tempo vais necessitar?
        Soma os tempos necessários e verifica se não excedem o tempo habitualmente disponível para a catequese. No caso de exceder, revê alguma das actividades. É normal que não saibas quanto tempo vais usar numa determinada atividade. Com prática deste exercício vais ficando mais rigoroso(a).
        Quem é mais ativo? Tu ou os catequizandos? Na catequese, não deves ser tu que explicas, que mostras ou que ensinas; devem ser eles a aprender, compreender, descobrir. Se isso não acontecer, revê a tua programação de modo a que os catequizandos sejam mais ativos.

A hora da verdade
        Prepara os materiais necessários. No caso de ser necessário requisitar algum material ou alguma sala especial (auditório, capela...) ou adquirir algo, fala e reserva com tempo com o responsável do Centro Paroquial.   Até ao dia da catequese não te esqueças de ter presente os teus catequizandos na oração. Especialmente os mais "difíceis".
         No dia da catequese chega ao Centro Paroquial com tempo. Não te esqueças dos materiais em casa! Arruma a sala(o espaço) e apronta tudo o que for necessário.
Reserva 20 minutos (pelo menos) antes da catequese para encontrar e saudar os catequizandos e os pais.
Assegura um bom acolhimento a todos!!!

A hora da verdade
         Logo depois de te despedires dos catequizandos e das suas famílias, avalia a catequese. Verifica se agiste de acordo com o planificado. Assinala os acontecimentos e momentos mais intensos do encontro de catequese. No caso de ter havido falhas e problemas, aceita-os com humildade e fé. Dá graças ao Senhor por mais este momento de anúncio do Evangelho e pede que Ele reforce o teu entusiasmo e criatividade.
         Verifica a forma de participar de cada um dos catequizandos. Se algum faltou, tenta saber porquê. O que se pode fazer para que não continue a faltar? Elogiaste algum catequizando que esteja a dar um contributo mais positivo?

sermao-cor300  Arménio Rodrigues

domingo, 22 de agosto de 2010

Brasília-DF, 24 de junho de 2010.

Queridos/as  Catequistas
Catequista,  você é especial para Deus!
Sua VOCAÇÃO foi gestada no coração do Pai, para que pudesse chegar aos corações dos seus filhos e filhas com a mensagem da VIDA: Jesus Cristo.

O último domingo de agosto é o DIA DO CATEQUISTA. É com admiração, reconhecimento e gratidão que a Igreja celebra essa festividade. Celebrar o DIA DO CATEQUISTA é sempre uma GRAÇA, motivo de alegria e de reflexão mais profunda sobre o SER DO CATEQUISTA, sua vocação e missão na Igreja e sociedade. Sentimos ainda os “ECOS” e a chama da esperança que ardeu em nosso coração com a realização da Terceira Semana Brasileira de Catequese.  
Sentimo-nos movidos pela força do Espírito, que nos chama e envia, pelas intuições e propostas do tema da Terceira Semana Brasileira de Catequese: “Iniciação à Vida Cristã”. Nesse Espírito, celebrar o dia do Catequista tem um significado especial, pois são vocês, catequistas, os protagonistas, aqueles que fazem com que o processo de um NOVO JEITO DE FAZER CATEQUESE seja possível. Portanto, confiamos em cada um de vocês, com seus dons partilhados, junto com as forças vivas de toda a Igreja, as comunidades, as pastorais, os movimentos, para que a iniciação à vida cristã seja possível. 
 Ao celebrar o DIA DO CATEQUISTA queremos refletir sobre a  vocação do catequista, que é a vocação do Profeta - aquele/la que fala em nome de Deus e da comunidade a que pertence.  A iniciativa sempre parte de Deus. O chamado a ser catequista não é algo pessoal, mas obra divina, graça. A missão do catequista está na raiz da palavra CATEQUESE, que vem do grego Katechein e quer dizer (fazer eco). Logo, catequista é aquele/la que se coloca a serviço da Palavra, que se faz instrumento para que a Palavra ecoe. O Senhor chama você para que, através da sua vida, da sua pessoa, da sua comunicação, a Palavra seja proclamada, Jesus Cristo seja anunciado e testemunhado.
Catequista, você não é só transmissor de idéias, conhecimentos, doutrina, pois sua experiência fundante está no ENCONTRO PESSOAL com a pessoa de Jesus Cristo. Essa experiência  é comunicada pelo SER, SABER e SABER FAZER em comunidade (DNC 261).O ser e o saber do catequista sustentam-se numa espiritualidade da gratuidade, da  confiança, da entrega, da certeza de que o SENHOR  está presente, é fiel.   
Catequista,  você é especial para Deus! Sua VOCAÇÃO foi gestada no coração do Pai, para que pudesse chegar aos corações dos seus filhos e filhas com a mensagem da VIDA: Jesus Cristo.  Sabemos das dificuldades que enfrenta para realizar a sua missão, mesmo assim teimosa e dedicadamente prossegue neste peregrinar de partilha, de despojamento e  aprendizagens.  
Isso demonstra que você cultiva uma profunda espiritualidade alicerçada na Palavra,  nos sacramentos, na vida em comunidade. É a experiência do discípulo missionário que vai se configurando na sua trajetória de avanços, desafios e alegrias. É a pedagogia divina, que se concretiza na sua vida permeada de fragilidades e grandeza, medos e coragem,  HUMANA e HUMANIZADORA.
É com a certeza da ação amorosa do Deus da Vida que você assume a missão de profeta que ouve o chamado de Deus: “Levanta-te  e Vai à Grande Cidade (Jn 1,2). Seu  anúncio é traduzido em atitudes proféticas  que testemunham os valores evangélicos, é o SER DO CATEQUISTA partilhado na sua inteireza, no serviço generoso, para que o REINO  aconteça.
Catequista, que a experiência do encontro com Jesus Cristo seja a força motivadora capaz de lhe trazer o encantamento por esse fascinante caminho de discipulado, cheio de desafios que o fazem crescer e acabam gerando profundas alegrias. 
Catequista, nesse dia acolha  o abraço de  gratidão de milhares de pessoas, vidas agradecidas, pela sua presença na educação da fé de crianças, adolescentes, jovens e adultos. Em sua ação se traduz de  uma forma única e original a  vocação da Igreja-Mãe que cuida maternalmente dos filhos que gerou na fé pela ação do Espírito.
Querido/a Catequista, PARABÉNS! Que a Força da Palavra, continue a suscitar-lhe a fé e o compromisso missionário !
Que os sacramentos sejam a  fonte inesgotável da misericórdia, da reconciliação, da justiça e do REENCANTAMENTO. 
Que a comunidade continue sendo o referencial da experiência do Enconto com  Cristo naqueles que sofrem, naqueles que buscam acolhida e necessitam ser “CUIDADOS”.  
A benção amorosa do PAI, que cuida com carinho dos seus filhos e filhas, que um dia nos chamou a viver com  alegria a  vocação do discípulo missionário, esteja na sua vida, na vida da sua comunidade hoje e sempre.
Fraternalmente,


Dom Eugênio Rixen
Presidente da Comissão Para Animação Bíblico-Catequética

O bem da oração

Do Catecismo sobre a Oração, de São João Maria Vianney, o Cura d’Ars (1786-1859), presbítero:

       Vede, meus filhos: o tesouro de um cristão não se encontra na Terra, mas no céu (Mt 6,20). Pois bem, o nosso pensamento deve estar onde está o nosso tesouro. O homem tem uma função bela, a de orar e de amar. Oramos, amamos: eis a felicidade do homem na terra.
A oração não é outra coisa senão uma união com Deus. Quando temos o coração puro e unido a Deus, sentimos em nós um bálsamo, uma doçura que inebria, uma luz que encadeia. Nesta união íntima, Deus e a alma são como dois pedaços de cera fundidos em conjunto; não conseguimos separá-los. É algo muito belo, esta união de Deus com a sua pequena criatura. É uma felicidade que não se pode compreender. Merecemos não orar; mas Deus, na Sua bondade, permitiu-nos falar-Lhe. A nossa oração é um incenso que Ele recebe com enorme prazer.
      Meus filhos, tendes um coração pequeno, mas a oração alarga-o e torna-o capaz de amar Deus. A oração é um antegosto do céu, um fluxo do paraíso. Ela nunca nos deixa sem doçura. É um mel que entra na alma e tudo adoça. Tal como a neve perante o sol, o sofrimento funde-se perante uma oração bem feita.

 

segunda-feira, 5 de julho de 2010

Eis as palavras do Santo Padre no Angelus do Dia de São Pedro e São Paulo:

 

Queridos irmãos e irmãs,

Hoje a Igreja de Roma festeja suas santas raízes, celebrando os apóstolos Pedro e Paulo, cujas relíquias se custodiam nas duas Basílicas dedicadas a eles e que adornam toda a Cidade querida pelos cristãos residentes e peregrinos.

A solenidade começou ontem à tarde com a oração das Primeiras Vésperas na Basílica Ostiense. A liturgia do dia volta a propor a profissão de fé de Pedro frente a Jesus: “Tu és o Cristo, o Filho do Deus vivo” (Mt 16, 16). Não é uma declaração fruto de uma racionalização, mas uma revelação do Pai ao humilde pescador da Galileia, como confirma o próprio Jesus, dizendo: “porque não foi carne e sangue quem te revelou isso” (Mt 16,17). Simão Pedro está tão próximo do Senhor como para se converter ele mesmo em uma rocha de fé e de amor sobre a qual Jesus edificou sua Igreja e “a fez – como observa São João Crisóstomo – mais forte que o próprio céu”. De fato, o Senhor conclui dizendo: “tudo o que ligares na terra será ligado nos céus, e tudo o que desligares na terra será desligado nos céus” (Mt 16,19).

São Paulo – de quem celebramos recentemente o bimilenário de seu nascimento – com a Graça divina difundiu o Evangelho, semeando a Palavra de verdade e de salvação no meio dos povos pagãos. Os dois Santos Patronos de Roma, apesar de terem recebido de Deus carismas e missões diferentes para cumprir, são ambos fundamento da Igreja una, santa, católica e apostólica, “permanentemente aberta à dinâmica missionária e ecumênica, já que é enviada ao mundo para anunciar e testemunhar, atualizar e estender o mistério de comunhão que a constitui”. Por isso, durante a Santa Missa, desta manhã na Basílica vaticana, entreguei a trinta arcebispos metropolitanos o Pálio, que simboliza tanto a comunhão com o bispo de Roma, como a missão de apascentar com amor a única grei de Cristo. Nesta solene ocasião, desejo também dar graças de coração à Delegação do Patriarcado Ecumênico, como testemunho do vínculo espiritual entre a Igreja de Roma e a Igreja de Constantinopla.

O exemplo dos apóstolos Pedro e Paulo ilumine as mentes e acenda nos corações dos crentes o santo desejo de cumprir a vontade de Deus, para que a Igreja peregrina na terra seja sempre fiel a seu Senhor. Dirijamo-nos com confiança à Virgem Maria, Rainha dos Apóstolos, que do Céu guia e sustenta o caminho do Povo de Deus.

 

 

A fé católica sobre o ministério do Papa - I

Caro Internauta, nos textos abaixo mostrei como o Concílio Vaticano II quis repetir e reafirmar tudo quanto o Concílio Vaticano I ensinou sobre o ministério de Pedro e seus sucessores na Igreja de Cristo. Agora, apresento-lhe o texto do Vaticano I sobre o tema. Recorde: esta é a nossa fé que da Igreja recebemos e fielmente devemos professar com todo o coração e toda a mente, sem sombra de dúvidas!

Primeira Constituição dogmática sobre a Igreja de Cristo

1821. O eterno Pastor e Bispo das nossas almas (cf. 1Pd 2,25), querendo perpetuar a salutífera obra da redenção, resolveu fundar a Santa Igreja, na qual, como na casa do Deus vivo, todos os fiéis se conservassem unidos, pelo vínculo da mesma fé e do mesmo amor. Por isso, antes de ser glorificado, rogou ao Pai não só pelos Apóstolos, mas também por aqueles que haviam de crer nele através das palavras deles, para que todos fossem um, assim como o Filho e o Pai são um (cf.Jo 17,20s). Por isso, assim como enviou os Apóstolos que tinha escolhido do mundo, conforme tinha sido ele mesmo enviado pelo Pai (cf. Jo 20,21), da mesma forma quis que até a consumação dos séculos (cf. Mt 28,20), houvesse na sua Igreja pastores e doutores. Mas, para que o próprio episcopado fosse uno e indiviso, e pela coesão e união íntima dos sacerdotes toda a multidão dos crentes se conservasse na unidade da mesma fé e comunhão, antepondo S. Pedro aos demais Apóstolos, pôs nele o princípio perpétuo e o fundamento visível desta dupla unidade, sobre cuja solidez se construísse o templo eterno e se levantasse sobre a firmeza desta fé a sublimidade da Igreja, que deve elevar-se até ao céu. E como as portas do inferno se insurgem de todas as partes de dia para dia com crescente ódio contra a Igreja divinamente estabelecida, a fim de fazê-la ruir, se pudessem, Nós julgamos necessário para a guarda, para a incolumidade e para o aumento da grei católica, após a aprovação do Concílio, propor a crença dos fiéis a doutrina sobre a instituição, a perpetuidade e a natureza do santo primado Apostólico, no qual reside a força e a solidez de toda a Igreja, segundo a fé antiga e constante da Igreja universal, proscrevendo e condenando os erros contrários, tão perniciosos a grei do Senhor.

Cap. I – A instituição do primado apostólico em S. Pedro

1822. Ensinamos, pois, e declaramos, segundo o testemunho do Evangelho, que Jesus Cristo prometeu e conferiu imediata e diretamente o primado de jurisdição sobre toda a Igreja ao Apóstolo S. Pedro. Com efeito, só a Simão Pedro, a quem antes dissera: Chamar-te-ás Cefas (cf. Jo 1,42), depois de ter ele feito a sua profissão com as palavras: Tu és o Cristo, o Filho de Deus vivo, foi que o Senhor se dirigiu com estas solenes palavras: Bem-aventurado és, Simão, filho de Jonas, porque nem a carne nem o sangue to revelaram, mas sim meu Pai que está nos céus. E eu te digo: Tu és Pedro, e sobre esta pedra edificarei a minha Igreja, e as portas do inferno não prevalecerão contra ela. E dar-te-ei as chaves do reino dos céus. E tudo o que ligares sobre a terra será ligado também nos céus; e tudo o que desligares sobre a terra será desligado também nos céus (cf. Mt 16,16 ss). E somente a Simão Pedro conferiu Jesus, após a sua ressurreição, a jurisdição de pastor e chefe supremo de todo o seu rebanho, dizendo: Apascenta os meus cordeiros, apascenta as minhas ovelhas (cf. Jo 21,15 ss). A esta doutrina tão clara das Sagradas Escrituras, tal como sempre foi entendida pela Igreja católica, opõe-se abertamente as sentenças perversas daqueles que, desnaturando a forma de governo estabelecida na Igreja por Cristo Nosso Senhor, negam que só Pedro foi agraciado com o verdadeiro e próprio primado de jurisdição, com exclusão dos demais Apóstolos, quer tomados singularmente, quer em conjunto. Igualmente se opõem a esta doutrina os que afirmam que o mesmo primado não foi imediata e diretamente confiado a S. Pedro mesmo, mas à Igreja, e por meio desta a ele, como ministro dela.

1823. [Cânon] Se, pois, alguém disser que o Apóstolo S. Pedro não foi constituído por Jesus Cristo príncipe de todos os Apóstolos e chefe visível de toda a Igreja militante; ou disser que ele não recebeu direta e imediatamente do mesmo Nosso Senhor Jesus Cristo o primado de verdadeira e própria jurisdição, mas apenas o primado de honra – seja excomungado.

A fé católica sobre o ministério do Papa - II

Cap. II – A perpetuidade do primado de S. Pedro nos Romanos Pontífices

1824. Porém o que Nosso Senhor Jesus Cristo, que é o príncipe dos pastores e o grande pastor das ovelhas, instituiu no Apóstolo S. Pedro para a salvação eterna e o bem perene da Igreja, deve constantemente subsistir pela autoridade do mesmo Cristo na Igreja, que, fundada sobre o rochedo, permanecerá inabalável até ao fim dos séculos. "Ninguém certamente duvida, pois é um fato notório em todos os séculos, que S. Pedro, príncipe e chefe dos Apóstolos, recebeu de Nosso Senhor Jesus Cristo, Salvador e Redentor do gênero humano, as chaves do reino; o qual (S. Pedro) vive, governa e julga através dos seus sucessores".

1825. [Cânon] Se, portanto, alguém negar ser de direito divino e por instituição do próprio Cristo que S. Pedro tem perpétuos sucessores no primado da Igreja universal; ou que o Romano Pontífice é o sucessor de S. Pedro no mesmo primado – seja excomungado.


Pedro na Cátedra de Doutor supremo da Igreja de Cristo

 

A fé católica sobre o ministério do Papa - III

Cap. III – A natureza e o caráter do primado do Pontífice Romano

1826. Por isso, apoiados no testemunho manifesto da Sagrada Escritura, e concordes com os decretos formais e evidentes, tanto dos Romanos Pontífices, nossos predecessores, como dos Concílios gerais, renovamos a definição do Concílio Ecumênico de Florença, que obriga todos os fiéis cristãos a crerem que a Santa Sé Apostólica e o Pontífice Romano têm o primado sobre todo o mundo, e que o mesmo Pontífice Romano é o sucessor de S. Pedro, o príncipe dos Apóstolos, é o verdadeiro vigário de Cristo, o chefe de toda a Igreja e o pai e doutor de todos os cristãos; e que a ele entregou Nosso Senhor Jesus Cristo todo o poder de apascentar, reger e governar a Igreja universal, conforme também se lê nas atas dos Concílios Ecumênicos e nos sagrados cânones.

1827. Ensinamos, pois, e declaramos que a Igreja romana, por disposição divina, tem o primado do poder ordinário sobre as outras Igrejas, e que este poder de jurisdição do Romano Pontífice, poder verdadeiramente episcopal, é imediato. E a ela [à Igreja romana] devem-se sujeitar, por dever de subordinação hierárquica e verdadeira obediência, os pastores e os fiéis de qualquer rito e dignidade, tanto cada um em particular, como todos em conjunto, não só nas coisas referentes à fé e aos costumes, mas também nas que se referem à disciplina e ao regime da Igreja, espalhada por todo o mundo, de tal forma que, guardada a unidade de comunhão e de fé com o Romano Pontífice, a Igreja de Cristo seja um só redil com um só pastor. Esta é a doutrina católica, da qual ninguém pode se desviar, sob pena de perder a fé e a salvação.

1828. Estamos, porém, longe de afirmar que este poder do Sumo Pontífice acaba com aquele poder ordinário e imediato de jurisdição episcopal, em virtude do qual os bispos, constituídos pelo Espírito Santo (cf. At 20,28) e sucessores dos Apóstolos, apascentam e regem, como verdadeiros pastores, os seus respectivos rebanhos; pelo contrário, este poder é firmado, corroborado e reivindicado pelo pastor supremo e universal, segundo o dizer de S. Gregório Magno: "A minha honra é o vigor dos meus irmãos. Sinto-me verdadeiramente honrado, quando a cada qual se tributa a honra que lhe é devida".

1829. Além disso, do supremo poder do Romano Pontífice de governar toda a Igreja resulta o direito de, no exercício deste seu ministério, comunicar-se livremente com os pastores e fiéis de toda a Igreja, para que estes possam ser por ele instruídos e dirigidos no caminho da salvação. Pelo que condenamos e reprovamos as máximas daqueles que dizem poder-se impedir licitamente esta comunicação do chefe supremo com os pastores e os fiéis, ou a subordinam ao poder secular, a ponto de afirmarem que o que é determinado pela Sé Apostólica em virtude da sua autoridade para o governo da Igreja, não tem força nem valor, a não ser depois de confirmado pelo beneplácito do poder secular.

1830. E como o Pontífice Romano governa a Igreja Universal em virtude do direito divino do primado apostólico, também ensinamos e declaramos que ele é o juiz supremo de todos os fiéis, podendo-se, em todas as coisas pertencentes ao foro eclesiástico, recorrer ao seu juízo; [declaramos] também que a ninguém é lícito emitir juízo acerca do julgamento desta Santa Sé, nem tocar neste julgamento, visto que não há autoridade acima da mesma Santa Sé. Por isso,estão fora do reto caminho da verdade os que afirmam ser lícito apelar da sentença do Pontífices Romanos para o Concílio Ecumênico, como sendo uma autoridade acima do Romano Pontífice.

1831. [Cânon] Se, pois alguém disser que ao Romano Pontífice cabe apenas o ofício de inspeção ou direção, mas não o pleno e supremo poder de jurisdição sobre toda a Igreja, não só nas coisas referentes à fé e aos costumes, mas também nas que se referem à disciplina e ao governo da Igreja, espalhada por todo o mundo; ou disser que ele só goza da parte principal deste supremo poder, e não de toda a sua plenitude; ou disser que este seu poder não é ordinário e imediato, quer sobre todas e cada uma das igrejas quer sobre todos e cada um dos pastores e fiéis – seja excomungado.


O Santo Padre Pio IX, Papa do Vaticano I

 

A fé católica sobre o ministério do Papa - IV

Cap. IV – O Magistério infalível do Romano Pontífice

1832. Esta Santa Sé sempre tem crido que no próprio primado Apostólico que o Romano Pontífice tem sobre toda a Igreja, está também incluído o supremo poder do magistério. O mesmo é confirmado também pelo uso constante da Igreja e pelos Concílios Ecumênicos, principalmente aqueles em que os Orientais se reuniam com os Ocidentais na união da fé e da caridade.

1833. Assim, os Padres do IV Concílio de Constantinopla, seguindo o exemplo dos antepassados, fizeram esta solene profissão da fé: "A salvação consiste antes de tudo em guardar a regra da fé verdadeira. E como a palavra de Nosso Senhor Jesus Cristo que disse: Tu és Pedro e sobre esta pedra edificarei a minha Igreja (cf. Mt 16,18) não pode ser vã, os fatos a têm confirmado, pois na Sé Apostólica sempre se conservou imaculada a religião católica e santa a doutrina. Por isso, não desejando absolutamente separar-nos desta fé e desta doutrina, esperamos merecer perseverar na única comunhão pregada pela Sé Apostólica, na qual está sólida, íntegra e verdadeira a religião cristã".

1834. E os gregos, com a aprovação do II Concílio de Lião, professaram "que a Santa Igreja romana goza do supremo e pleno primado e principado sobre toda a Igreja católica, primado que com verdade ela reconhece humildemente ter recebido, com a plenitude do poder, do próprio Jesus Cristo, na pessoa de S. Pedro, príncipe dos Apóstolos, de quem o Romano Pontífice é sucessor; e assim com a Igreja romana, mais do que as outras, deve defender a verdadeira fé assim também, quando surgirem questões acerca da fé, cabe a ela o defini-las".

1835. E finalmente o Concílio de Florença definiu "que o Romano Pontífice é o verdadeiro vigário de Cristo, o chefe de toda a Igreja, o pai e o doutor de todos os cristãos; e que a ele conferiu Nosso Senhor Jesus Cristo, na pessoa de S. Pedro, o pleno poder de apascentar, reger e governar a Igreja".

1836. Com o fim de satisfazer a este múnus pastoral, os nossos predecessores empregaram sempre todos os esforços para propagar a salutar doutrina de Cristo entre todos os povos da Terra, vigiando com igual solicitude que, onde fosse recebida, se guardasse pura e sem alteração. Pelo que os bispos de todo o mundo, quer em particular, quer reunidos em sínodos, seguindo o velho costume e a antiga regra da Igreja, têm referido a esta Sé Apostólica os perigos que surgiam, principalmente em assuntos de fé, a fim de que os danos da fé se ressarcissem aí, onde a fé não pode sofrer quebra. E os Pontífices Romanos, conforme lhes aconselhavam a condição dos tempos e as circunstâncias, ora convocando Concílios Ecumênicos, ora auscultando a opinião de toda a Igreja dispersa pelo mundo, ora por sínodos particulares ou empregando outros meios, que a Divina Providência lhes proporcionava, têm definido como verdade de fé [tudo] aquilo que, com o auxílio de Deus, reconheceram ser conforme com a Sagrada Escritura e as tradições apostólicas. Pois o Espírito Santo não foi prometido aos sucessores de S. Pedro para que estes, sob a revelação do mesmo, pregassem uma nova doutrina, mas para que, com a sua assistência, conservassem santamente e expusessem fielmente o depósito da fé, ou seja, a revelação herdada dos Apóstolos. E esta doutrina dos Apóstolos abraçaram-na todos os veneráveis Santos Padres, veneraram-na e seguiram-na todos os santos doutores ortodoxos, firmemente convencidos de que esta cátedra de S. Pedro sempre permaneceu imune de todo o erro, segundo a promessa de Nosso Senhor Jesus Cristo feita ao príncipe dos Apóstolos: Eu roguei por ti, para que a tua fé não desfaleça; e tu, uma vez convertido, confirma os teus irmãos (cf. Lc 22, 32).

1837. Foi, portanto, este Dom da verdade e da fé, que nunca falece, concedido divinamente a Pedro e aos seus sucessores nesta cátedra, a fim de que cumprissem seu sublime encargo para a salvação de todos, para que assim todo o rebanho de Cristo, afastado por eles do venenoso engodo do erro, fosse nutrido com o pábulo da doutrina celeste, para que assim, removida toda ocasião de cisma, e apoiada no seu fundamento, se conservasse unida a Igreja universal, firme e inexpugnável contra as portas do inferno.

1838. Mas, como nestes nossos tempos, em que mais do que nunca se precisa da salutífera eficácia do ministério apostólico, muitos há que combatem esta autoridade, julgamos absolutamente necessário afirmar solenemente esta prerrogativa que o Filho Unigênito de Deus dignou-se ajuntar ao supremo ofício pastoral.

1839. Por isso Nós, apegando-nos à Tradição recebida desde o início da fé cristã, para a glória de Deus, nosso Salvador, para exaltação da religião católica, e para a salvação dos povos cristãos, com a aprovação do Sagrado Concílio, ensinamos e definimos como dogma divinamente revelado que o Romano Pontífice, quando fala ex cathedra, isto é, quando, no desempenho do ministério de pastor e doutor de todos os cristãos, define com sua suprema autoridade apostólica alguma doutrina referente à fé e à moral para toda a Igreja, em virtude da assistência divina prometida a ele na pessoa de São Pedro, goza daquela infalibilidade com a qual Cristo quis munir a sua Igreja quando define alguma doutrina sobre a fé e a moral; e que, portanto, tais declarações do Romano Pontífice são por si mesmas, e não apenas em virtude do consenso da Igreja, irreformáveis.

1840. [Cânon]: Se, porém, alguém ousar contrariar esta nossa definição, o que Deus não permita, - seja excomungado.


O Santo Padre Pio XII
proclamando o dogma da Assunção de Maria:
Magistério infalível

FONTE: BLOG DE DOM HENRIQUE SOARES DA COSTA

terça-feira, 29 de junho de 2010

Introdução a Ratzinger: A mediocridade das liturgias de hoje

 

   Ratzinger é uma pessoa extremamente equilibrada e cuidadoso nas palavras, mas quando fala da liturgia como é celebrada atualmente, não poupa críticas mordazes: “A banalidade e o racionalismo infantil da liturgia feita por conta própria, com a sua teatralidade artificial, ficam cada vez mais claros na sua ingenuidade; a sua inutilidade se torna patente. A plena autoridade do mistério desapareceu”. Aludindo ao costume, hoje difundido, de aplaudir durante as celebrações, acrescenta: “Ali, onde explode o aplauso à obra humana na liturgia, estamos diante de um sinal seguro que se perdeu completamente a essência da liturgia e se a substituiu por uma espécie de entretenimento de caráter religioso! A liturgia pode atrair as pessoas somente se não olha para si mesma, mas para Deus”.

Já em 1985, ele acusava “o palavreado banal e o infantilismo pastoral que degradam a liturgia católica, reduzindo-a ao nível de círculo de aldeia e a rebaixam ao nível do trivial. Certa liturgia pós-conciliar tornou-se opaca e enfadonha pelo seu gosto do banal e do medíocre, a tal ponto de causar calafrios”.

“Esta liturgia move-se em um mundo de ficção, cuja miséria artificial não pode ser superada nem mesmo pelas patéticas declamações das dores dos povos oprimidos, declamações que não por acaso aparecem como um núcleo comum a todas essas liturgias auto-inventadas” (Introduzione a Ratzinger, por Dag Tessore – Traduzido para o português: Bento XVI. Questões de fé, ética e pensamento na obra de Joseph Ratzinger. Ed. Claridade-Nova Alexandria).

Observação minha: É impressionante, caro Visitante, a lucidez da percepção de Ratzinger! Muitíssimas vezes o que constatamos hoje são umas celebrações litúrgicas que não respeitam nem revelam o Mistério celebrado. E o Mistério da liturgia é um só: Deus que vem a nós em Jesus Cristo, doador do Espírito para a vida do mundo e, assim, faz o homem elevar-se a Ele pelo Cristo morto e ressuscitado na potência do Espírito. Nos ritos, nos gestos, nas palavras, nos símbolos sagrados, que não podem ser inventados a bel-prazer, o Mistério nos é dado, o Mistério nos eleva e transfigura para, através de nós, transfigurar o mundo. Infelizmente, por total ignorância do que seja a liturgia cristã, nossas celebrações tornaram-se um grotesco programa de auditório, no qual a comunidade se auto-celebra, ao invés de fazer-se toda disponível ao Mistério de Deus! Uma liturgia assim cansa, torra a paciência e faz os que dela participam saírem mais vazios do que chegaram. É a liturgia show: show do padre, show do coral, show de um monte de gente fazendo um monte de coisas pra lá e pra cá... Só não se faz o essencial: não se está atento ao Mistério, não se contempla, não se abisma na beleza amorosa de Deus, revelada na face bendita de Cristo. Mas, sem liturgia verdadeira, não existe Igreja, não existe vida cristã! Sem liturgia genuinamente cristã, a Igreja torna-se uma ONG, o cristianismo, uma ideologia insossa e politicamente correta, e a vida cristã uma chatura moralizante, um verdadeiro porre!

Fonte: blog do Dom Henrique.