segunda-feira, 7 de novembro de 2011

SANTO PADROEIRO DOS CATEQUISTAS

São Carlos Borromeu


  Carlos, o segundo filho de Gilberto, nasceu em 2 de outubro de 1538. Menino ainda, revelou ótimo talento e uma inteligência rara. Ao lado destas qualidades, manifestou forte inclinação para a vida religiosa, pela piedade e o temor a Deus. Ainda criança, era seu prazer construir altares minúsculos, diante dos quais, em presença dos irmãos e companheiros de idade, imitava as funções sacerdotais que tinha observado na Igreja. O amor à oração e o aborrecimento aos divertimentos profanos, eram sinais mais positivos da vocação sacerdotal.

O ano de 1562 veio a Carlos com a graça do sacerdócio. No silêncio da meditação, lançou Carlos planos grandiosos para a reorganização da Igreja Católica. Estes todos se concentraram na ideia de concluir o Concílio de Trento. De fato, era o que a Igreja mais necessitava, como base e fundamento da renovação e consolidação da vida religiosa. Carlos, sem cessar, chamava a atenção do seu tio (que era Cardeal e foi eleito Papa, com o nome de Pio IV) para esta necessidade, reclamada por todos os amigos da Igreja. De fato, o Concílio se realizou, e Carlos quis ser o primeiro a executar as ordens da nova lei, ainda que por esta obediência tivesse de deixar sua posição para ocupar outra inferior. 

Carlos sabia muito bem que a caridade abre os corações também à religião. Por isto foi que grande parte de sua receita pertencia aos pobres, reservando ele para si só o indispensável. Heranças ou rendimentos que lhe vinham dos bens de família, distribuía-os entre os desvalidos. Tudo isto não aguenta comparação com as obras de caridade que o Arcebispo praticou, quando em 1569-1570, a fome e uma epidemia, semelhante à peste, invadiram a cidade de Milão. Não tendo mais o que dar, pedia ele próprio esmolas para os pobres e abria assim fontes de auxílio, que teriam ficado fechadas.

Quando, porém, em 1576, a cidade foi atingida pela peste, e o povo abandonado pelos poderes públicos, visto que ninguém se compadecia do povo, ainda procurava os pobres doentes dos quais ninguém lembrava, consolava-os e dava-lhes os santos sacramentos. Tendo-se esgotado todas as fontes de recurso, Carlos lançou mão de tudo o que possuía, para amenizar a triste sorte dos doentes. Mais de  cem sacerdotes tinham pago com a vida, na sua dedicação e serviço aos doentes. Deus conservava a vida do Arcebispo, e este se aproveitou da ocasião para dizer duras verdades aos ímpios e ricos esquecidos de Deus.

Gregório XIII, não só rejeitou as acusações infundados feitas ao Arcebispo, mas ainda recebeu Carlos Borromeu em Roma, com as mais altas distinções. Em resposta a este gesto do Papa, o governador de Milão, organizou no primeiro domingo da Quaresma de 1579, um indigno préstito carnavalesco pelas ruas de Milão, precisamente à hora da missa celebrada pelo Arcebispo. O mesmo governador, que tanta guerra ao Prelado movera, e tantas hostilidades contra São Carlos estimulara, no leito de morte reconheceu o erro e teve o consolo da assistência do santo Bispo na hora da agonia. Seu sucessor, Carlos de Aragão, duque de Terra Nova, viveu sempre em paz com a autoridade eclesiástica. O Arcebispo gozou deste período só dois anos.

Quando em outubro de 1584, como era de costume, se retirara para fazer os exercícios espirituais, teve fortes acessos de febre, aos quais não deu importância e dizia: “Um bom pastor de almas, deve saber suportar três febres, antes de se meter na cama”. Os acessos renovaram-se e consumiram as forças do Arcebispo. Ao receber os santos sacramentos, expirou aos 03 de novembro de 1584. Suas últimas palavras foram: “Eis Senhor, eu venho, vou já”. São Carlos Borromeu tinha alcançado a idade de 46 anos.

O Papa Paulo V, canonizou-o em 1610 e fixou-lhe a festa para o dia 04 de novembro.


São Carlos Borromeu, rogai por nós!

segunda-feira, 15 de agosto de 2011

Ajoelhar-se na Missa ajuda a vencer a idolatria



Fonte: ACI Digital

O perito em liturgia e arte sacra, Monsenhor Marco Agostini, assegurou que ajoelhar-se na Missa é uma boa maneira de vencer a idolatria pois é uma resposta do homem à “Epifania de Cristo”.

Mons. Agostini, oficial da segunda seção da secretaria de Estado e um dos mestres de cerimônia pontifícios escreveu no jornal L’Osservatore Romano que os formosos pavimentos de muitas igrejas antigas foram “feitos para os joelhos dos fiéis” como um “tapete perene de pedras” para a oração e a humildade.

“Hoje os genuflexórios desapareceram em muitas igrejas e se tende a remover os balaustres diante dos quais alguém podia se aproximar da comunhão de joelhos”, sustenta o perito segundo uma tradução do texto divulgada pelo vaticanista Sandro Magister.

“Entretanto no Novo Testamento o gesto de ajoelhar-se apresenta cada vez que se apresenta a divindade de Cristo a alguém: pense-se por exemplo nos Magos, o cego de nascimento, a unção de Betânia, a Madalena no jardim na manhã de Páscoa”, acrescenta Mons. Agostini.


O perito recorda que “Jesus mesmo disse a Satanás, que queria impor-lhe uma genuflexão equivocada, pois só a Deus se deve dobrar o joelho. Satanás pede ainda hoje que se escolha entre Deus ou o poder, Deus ou a riqueza, e trata ainda mais profundamente. Mas assim não se dará glória a Deus de maneira nenhuma; os joelhos se dobrarão para aqueles que o poder lhes favoreceu, para aqueles aos quais se tem o coração unido através de um ato”.

“Voltar a ajoelhar-se na Missa é um bom exercício de treinamento para vencer a idolatria na vida, além de ser um dos modos da ‘actuosa participatio’ dos que fala o último Concílio. A prática é útil também para perceber a beleza dos pavimentos (ao menos dos antigos) de nossas igrejas. Frente a alguns dá vontade de tirar os sapatos como fez Moisés diante de Deus que lhe falava da sarça ardente”, assinala.

Para Magister, “ajoelhar-se hoje –especialmente sobre o piso– caiu em desuso. Tanto é assim que suscita surpresa o desejo de Bento XVI de dar a comunhão aos fiéis na boca e de joelhos”.

“Mas mais que de uma novidade, se trata de um retorno à tradição. As outras são o crucifixo ao centro do altar, ‘para que todos na missa olhem para Cristo e não para uns aos outros’, e o uso frequente do latim ‘para sublinhar a universalidade da fé e a continuidade da Igreja’”, explica Magister.

O vaticanista sustenta que “perdeu-se de vista também o sentido da pavimentação das igrejas. Tradicionalmente muitas delas foram ornamentadas precisamente para servir de fundamento e guia à grandeza e profundidade dos mistérios celebrados”.

“Hoje poucos são os que advertem que pavimentos tão formosos e preciosos são feitos também para os joelhos dos fiéis: um tapete de pedra sobre o qual prostrar-se diante do esplendor da epifania divina”, acrescenta.

quinta-feira, 11 de agosto de 2011

Salvemos a liturgia!

O texto abaixo ("Escritora brasileira defende resgate da beleza na celebração da liturgia"), publicado no final de 2007, vai ao âmago da questão sobre o descaso que a liturgia católica tem sofrido nos últimos anos. Mostra a posição de Adélia Prado, reconhecida poetisa mineira, sobre os nossos maus procedimentos litúrgicos. Como enfatiza Adélia, não se percebe que o modo de se comportar diante do Mistério não é o mesmo com o qual nos comportamos na diversão, na recreação, na conversa com os semelhantes etc. O povo é o primeiro a perceber a diferença. No entanto, as práticas litúrgicas dos últimos anos, decorrentes de uma equivocada interpretação da reforma litúrgica promovida pelo Concílio do Vaticano II, não querem ver a diferença, e, em nome de adaptação ao povo, têm feito grandíssimo mal ao mesmo povo.


Bento XVI, quando era ainda o Cardeal Ratzinger, lançou um livro sobre liturgia (Introdução ao espírito da liturgia. Lisboa: Paulinas, 2001), no qual podemos encontrar valiosíssimas reflexões e orientações. É uma tentativa de ajudar a criar uma nova compreensão litúrgica, após muitos desvarios do pós-concílio. Ratzinger faz aí afirmações muito próximas às de Adélia Prado:
“A verdadeira liturgia pressupõe que Deus responde e expõe o modo de ser venerado. Ela inclui, duma certa maneira, algo como ‘nomeação’. Ela não pode ser fruto da nossa fantasia e criatividade – pois assim, seria apenas um grito na escuridão ou simplesmente a afirmação de nós próprios. A liturgia pressupõe algo de concreto diante de nós, algo que se nos revela, indicando o percurso de nossa existência” (p.15; os grifos são nossos).
E, por ocasião das celebrações dos dez anos do Motu Proprio Ecclesia Dei, afirmou de modo bem rotundo:"O Mistério sagrado foi substituído por uma criatividade selvagem".

Padre Elílio de Faria Matos Júnior


Vejamos as afirmações de Adélia, nas quais fizemos alguns grifos para destacar afirmações importantes:


Escritora brasileira defende resgate da beleza na celebração da liturgia

Por Alexandre Ribeiro

APARECIDA, domingo, 2 de dezembro de 2007 (ZENIT.org).- Ao defender o esmero com as celebrações litúrgicas e a beleza como uma «necessidade vital» que deve permeá-las, a escritora brasileira Adélia Prado afirma que «a missa é como um poema, não suporta enfeite nenhum».

«A missa é a coisa mais absurdamente poética que existe. É o absolutamente novo sempre. É Cristo se encarnando, tendo a sua Paixão, morrendo e ressuscitando. Nós não temos de botar mais nada em cima disso, é só isso», enfatiza.

Poeta e prosadora, uma das mais renomadas escritoras brasileiras da atualidade, Adélia Prado, 71 anos, falou sobre o tema da linguagem poética e linguagem religiosa essa quinta-feira, em Aparecida (São Paulo), no contexto do evento «Vozes da Igreja», um festival musical e cultural.

Ao propor a discussão do resgate da beleza nas celebrações litúrgicas, Adélia Prado reconheceu que essa é uma preocupação que a tem ocupado «há muitos anos». «Como cristã de confissão católica, eu acredito que tenho o dever de não ignorar a questão», disse.

«Olha, gente – comentou com um tom de humor e lamento –, têm algumas celebrações que a gente sai da igreja com vontade de procurar um lugar para rezar.»

Como um primeiro ponto a ser debatido, Adélia colocou a questão do canto usado na liturgia. Especialmente o canto «que tem um novo significado quanto à participação popular», ele «muitas vezes não ajuda a rezar».

«O canto não é ungido, ele é feito, fazido, fabricado. É indispensável redescobrir o canto oração», disse, citando o padre católico Max Thurian, que, observador no Concílio Vaticano II ainda como calvinista, posteriormente converteu-se ao catolicismo e ordenou-se sacerdote.

Adélia Prado reforçou as observações, enfatizando que «o canto barulhento, com instrumentos ruidosos, os microfones altíssimos, não facilita a oração, mas impede o espaço de silêncio, de serenidade contemplativa».

Segundo a poetisa, «a palavra foi inventada para ser calada. É só depois que se cala que a gente ouve. A beleza de uma celebração e de qualquer coisa, a beleza da arte, é puro silêncio e pura audição».

«Nós não encontramos mais em nossas igrejas o espaço do silêncio. Eu estou falando da minha experiência, queira Deus que não seja essa a experiência aqui», comentou.

«Parece que há um horror ao vazio. Não se pode parar um minuto». «Não há silêncio. Não havendo silêncio, não há audição. Eu não ouço a palavra, porque eu não ouço o mistério, e eu estou celebrando o mistério», disse.

De acordo com a escritora mineira (natural de Divinópolis), «muitos procedimentos nossos são uma tentativa de domesticar aquilo que é inefável, que não pode ser domesticado, que é o absolutamente outro».

«Porque a coisa é tão indizível, a magnitude é tal, que eu não tenho palavras. E não ter palavras significa o quê? Que existe algo inefável e que eu devo tratar com toda reverência.»

Adélia Prado fez então críticas a interpretações equivocadas que se fizeram do Concílio Vaticano II na questão da reforma litúrgica.

«Não é o fato de ter passado do latim para a língua vernácula, no nosso caso o português, não é isso. Mas é que nessa passagem houve um barateamento. Nós barateamos a linguagem e o culto ficou empobrecido daquilo que é a sua própria natureza, que é a beleza.»

«A liturgia celebra o quê?» – questionou –. «O mistério. E que mistério é esse? É o mistério de uma criatura que reverencia e se prostra diante do Criador. É o humano diante do divino. Não há como colocar esse procedimento num nível de coisas banais ou comuns.»

Segundo Adélia, o erro está na suposição de que, para aproximar o povo de Deus, deve-se falar a linguagem do povo.

«Mas o que é a linguagem do povo? É aí que mora o equívoco», – disse –. «Não há ninguém que se acerca com maior reverência do mistério de Deus do que o próprio povo».

«O próprio povo é aquele que mais tem reverência pelo sagrado e pelo mistério», enfatizou.

«Como é que eu posso oferecer a esse povo uma música sem unção, orações fabricadas, que a gente vê tão multiplicadas e colocadas nos bancos das igrejas, e que nada têm a ver com essa magnitude que é o homem, humano, pecador, aproximar-se do mistério.»

Segundo a escritora brasileira, barateou-se o espaço do sagrado e da liturgia «com letras feias, com músicas feias, comportamentos vulgares na igreja».

«E está tão banalizado isso tudo nas nossas igrejas que até o modo de falar de Deus a gente mudou. Fala-se o “Chefão”, “Aquele lá de cima”, o “Paizão”, o “Companheirão”.»

«Deus não é um “Companheirão”, ele não é um “Paizão”, ele não é um “Chefão”. Eu estou falando de outra coisa. Então há a necessidade de uma linguagem diferente, para que o povo de Deus possa realmente experimentar ou buscar aquilo que a Palavra está anunciando», afirmou.

Para Adélia Prado, «linguagem religiosa é linguagem da criatura reconhecendo que é criatura, que Deus não é manipulável, e que eu dependo dele para mover a minha mão».

Com esse espírito, enfatizou, «nossa Igreja pode criar naturalmente ritos e comportamentos, cantos absolutamente maravilhosos, porque verdadeiros».

Ao destacar que a missa é como um poema e que não suporta enfeites, Adélia Prado afirmou que a celebração da Eucaristia «é perfeita» na sua simplicidade.

«Nós colocamos enfeites, cartazes para todo lado, procissão disso, procissão daquilo, procissão do ofertório, procissão da Bíblia, palmas para Jesus. São coisas que vão quebrando o ritmo. E a missa tem um ritmo, é a liturgia da Palavra, as ofertas, a consagração… então ela é inteirinha.»

«A arte a gente não entende. Fé a gente não entende. É algo dirigido à terceira margem da alma, ao sentimento, à sensibilidade. Não precisa inventar nada, nada, nada», disse Adélia.

E encerrou declamando um poema seu, cujo um fragmento diz:

"Ninguém vê o cordeiro degolado na mesa,
o sangue sobre as toalhas,
seu lancinante grito,
ninguém”.


sexta-feira, 6 de maio de 2011

Dom Odilo aprofunda o tema: Catequistas, discípulos-missionários

No mês de agosto, entre as vocações mais destacadas para a vida e a missão da Igreja, lembramos a dos catequistas, comemorado no último domingo do mês. Eles, de fato, desempenham um papel de importância fundamental na transmissão e na educação para a fé.

A Conferência de Aparecida manifestou um especial reconhecimento pelo trabalho desempenhado pelos muitos milhares de catequistas nas inumeráveis comunidades cristãs da América Latina. Ao mesmo tempo, os bispos latino-americanos reconheceram que, apesar da boa vontade e do esforço dos catequistas, permanecem sérias deficiências na catequese. Os materiais e subsídios catequéticos nem sempre são os mais adequados e o processo catequético, com freqüência, carece do apoio das famílias e mesmo das paróquias. O fato é que muitos e muitos católicos nunca passaram por uma catequese eficaz.

Diante dos desafios atuais para viver a fé, requer-se de nós todos uma identidade católica mais pessoal e bem fundamentada. E o fortalecimento dessa identidade passa por uma catequese adequada, que leve a uma adesão pessoal e comunitária a Jesus Cristo. Graças a Deus, existe uma verdadeira multidão de abnegados catequistas! A catequese, porém, está na responsabilidade direta dos pais, dos bispos e párocos, “principais catequistas”, e de toda a comunidade dos “discípulos-missionários” de Jesus Cristo; infelizmente, nem sempre ela recebe a devida atenção.

A catequese não pode ser apenas ocasional ou voltada à iniciação cristã ou à preparação aos sacramentos, embora esses sejam momentos fortes e ocasiões propícias para realizá-la; mas ela precisa ser progressiva, orgânica e permanente, um verdadeiro itinerário de educação da fé que acompanha a vida inteira; a catequese, de fato, é um caminho progressivo de amadurecimento na vida cristã, que leva ao conhecimento e ao amor sempre mais profundo a Jesus Cristo e à imitação dele. É preciso superar a idéia de que a catequese seja apenas destinada às crianças e adolescentes.

A catequese também não pode limitar-se à mera “instrução” doutrinal, embora essa não deva faltar. A verdadeira catequese precisa levar ao encontro pessoal com o Deus vivo e pessoal, por meio de Jesus Cristo e na comunidade eclesial. A catequese boa ajudará a introduzir os catequisandos nos “lugares” conhecidos do encontro com Deus, como a leitura orante da Palavra de Deus, o exercício da oração pessoal e comunitária, a experiência da participação na vida eclesial, a participação na Eucaristia e nos demais sacramentos, a prática da caridade fraterna e a vida moral coerente com o Reino de Deus anunciado por Jesus. Tudo isso requer um verdadeiro “aprendizado” teórico e prático, onde o testemunho pessoal do catequista tem um papel fundamental.

No Evangelho de São João, encontramos algumas passagens muito ilustrativas do papel do catequista. No chamado dos primeiros discípulos, André já tinha conhecido Jesus e estava entusiasmado por ele; logo foi falar com Simão, seu irmão, dizendo-lhe: “olhe, encontramos o Cristo”. E levou-o até Jesus. Aquele encontro mudou totalmente a vida de Pedro (cf. Jo. 1,41-42). André foi um bom catequista! Também Filipe já conhecia Jesus e estava entusiasmado por ele; encontrando Natanael, Filipe lhe diz: “encontramos Jesus, o filho de José, de Nazaré, aquele sobre quem escreveram Moisés, na Lei, bem como os profetas”. Natanael duvidou que fosse verdade, mas aceitou o convite de Filipe: “vem e vê”. Também esse encontro foi transformador (cf. Jo. 1, 45-51). Natanael tornou-se discípulo, missionário e mártir de Jesus. Como Filipe, o catequista conhece Jesus Cristo e vive entusiasmado por ele; por isso é capaz de ajudar outros a encontrarem Jesus também.

A missão do catequista também aparece bem ilustrada nas parábolas do tesouro escondido no campo e da pérola preciosa (cf. Mt 13,44-46). Todos, de um jeito ou de outro, estão à procura do verdadeiro bem da vida, que satisfaça plenamente o coração e pelo qual vale a pena investir tudo. S.Francisco compreendia bem, quando exclamava: “meu Deus e meu tudo, és tu o meu único bem”! O “campo” com o tesouro escondido é o reino de Deus e a vida no seguimento de Jesus. O catequista já encontrou esse tesouro e se alegrou por tê-lo achado; por isso sabe como ajudar outras pessoas a encontrá-lo também; sabe acompanhar os irmãos e irmãs na busca de Deus e no itinerário da fé e da vivência cristã. Da mesma forma, tendo encontrado a pérola preciosa, sabe falar bem dela a todos e despertar o desejo de buscá-la também.

Um texto bonito da liturgia na festa dos Apóstolos diz assim: “vossos amigos, Senhor, anunciam a glória do vosso nome!”. Os discípulos são verdadeiros amigos de Jesus Cristo, que os introduz na intimidade com Deus. É muito bonito e estimulante pensar a vida cristã como amizade com Jesus e com Deus A catequese é ação para os verdadeiros amigos de Deus. Os amigos gostam do amigo e falam bem dele aos outros, introduzindo-os nessa amizade também. A catequese eficaz leva à amizade com Deus.

D.Odilo Pedro Scherer
Arcebispo de São Paulo

sexta-feira, 4 de março de 2011


RITO DE ACOLHIDA NA CATEQUESE

Obs.; Os catequizandos e catequistas podem acompanhar a procissão de entrada, carregando alguns símbolos da catequese: bíblia, manual de encontros, apostila, terço.

COMENTÁRIO INICIAL DA MISSA
Louvado Seja Nosso Senhor Jesus Cristo!
Irmãos e irmãs, hoje nossa celebração tem um caráter especial. Vamos conhecer e incentivar os catequizandos de nossa comunidade, que se preparam para participar conosco da Comunhão Eucarística. Vamos, também, rezar por eles. Todos nós nos sentimos comprometidos nesta preparação. Acompanharemos os passos que vão dar até o dia de sua primeira comunhão. Vamos acolhê-los, todos de pé, ritos iniciais, canto de entrada.

Depois da Homilia
                              
Padre: Irmãos, aqui nos encontramos para receber estes catequizandos que se prepararão para a Primeira Comunhão. Com isso dizer que não só os pais e os catequistas são responsáveis por elas, mas também toda a comunidade.

Catequizandos: (de pé) Nós estamos aqui / e queremos nos preparar/ para participar da Comunhão Eucarística/ Queremos que nos ajudem / a crescer na fé e no amor.

Padre: Queridos catequizandos, o Senhor Jesus os acolhe nesta igreja, sua casa.  E nós, felizes, em seu nome, os recebemos. Desejamos também aos pais, que os trouxeram, alegria e paz no Cristo Deus.

Comentarista: Irmãos, agora realizaremos uma cerimônia muito importante: o compromisso dos pais, da comunidade e catequizandos acerca da preparação para a Primeira Comunhão. Agora pedimos que somente os pais dos catequizandos permaneça de pé.

Padre: Prezados pais, vocês trouxeram um dia seus filhos à Igreja para que fossem batizados. Naquela hora, vocês assumiram o compromisso de prepará-los para viver plenamente como cristãos. Vocês querem agora dar mais um passo nessa preparação? Querem que seus filhos sejam admitidos à preparação para a Comunhão Eucarística?

Pais: Sim, queremos.

Comentarista: Pedimos agora, que toda a comunidade fique de pé. Menos os catequizandos

Padre: A vocês, caríssimos irmãos, comunidade aqui reunida, cabem também à responsabilidade de auxiliar os catequistas e os pais a preparar estes catequizandos com o testemunho de fé, do amor, e da união, para que eles vejam em vocês o caminho a seguir. Vocês prometem a Deus empregar todo esforço para ser, de fato, uma comunidade de fé, amor e esperança?

Comunidade: Sim, prometemos.

Comentarista: (Pais e comunidade podem sentar)
Agora vocês, queridos catequizandos, fiquem todos de pé.

Padre: Temos aqui esta grande vela, o círio pascal, que para nós representa Jesus Cristo, a Luz do mundo, presente em nosso meio. Cada um de vocês vai agora acender sua pequena vela na chama deste círio...

Padre: Catequizandos, no dia em que vocês foram batizados, vocês entraram para a grande família de Deus. Vocês querem participar de nossa vida de comunidade?

Catequizandos: SIM, QUEREMOS.

Padre: O que vocês devem fazer para que vivam felizes na comunidade?

Catequizandos: AMAR-NOS UNS AOS OUTROS COMO MANDOU NOSSO SENHOR JESUS CRISTO.

 Padre: Em nome de Deus e de toda a comunidade eu os recebo para tomar parte na preparação para a Comunhão Eucarística.

Canto

quinta-feira, 3 de março de 2011


ORAÇÃO MARIANA DO SÉC. III
Autor: Desconhecido
Fonte: Revista "Pergunte e Responderemos" nº 457

Em 1917 a Biblioteca John Ryland, de Manchester (Inglaterra) adquiriu no Egito um pequeno fragmento de papiro de 18 x 9,4 cm (Ryl. III,470), cujo conteúdo foi identificado em 1939; é o texto de uma oração dirigida a Maria Santíssima invocada como Theotókos (=Mãe de Deus) no séc. III. Quando em 431 (séc. V) o Concílio de Éfeso proclamou Maria Theotókos, fez eco a uma tradição cujo primeiro termo conhecido remonta a Orígenes (243 dC).

Sob a tua misericórdia nos refugiamos,
Mãe de Deus!
Não deixes de considerar as nossas súplicas
em nossas dificuldades.
Mas livra-nos do perigo,
única casta e bendita!